Evento, que reuniu líderes da Eletronet, Scala Data Centers, NEC e Nokia, discutiu como o fortalecimento do backbone de fibra óptica e o crescimento dos edge data centers sustentam a expansão de aplicações de Inteligência Artificial, entre outras tecnologias, no Brasil.
O CEO da Eletronet também destacou o recente anúncio da ampliação da rede de fibra óptica da empresa no Brasil.
O avanço da infraestrutura de conectividade no País tornou-se fundamental no sentido de viabilizar a transformação digital em todos os setores da economia brasileira. Dados do IX.br (Internet Exchange do Brasil) e NIC.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR) indicam que o tráfego de dados no País já ultrapassou 40 Tbps de pico agregado, consolidando um dos maiores volumes de interconexão de Internet do mundo. Diante desse cenário, a rede de fibra óptica local ganha protagonismo absoluto, uma vez que possui mais de 1 milhão de quilômetros, somando infraestruturas de operadoras nacionais, provedores regionais e redes de backbone.
Por essa razão, o Conexões JHSP, iniciativa da Japan House São Paulo, que promove o intercâmbio de negócios e inovações entre Brasil e Japão, com apoio da multinacional japonesa de tecnologia NEC e do Programa Start, realizado no mês de março, visou debater os movimentos do mercado de infraestrutura de redes no Brasil e seus impactos na sociedade. O evento reuniu Rogerio Garchet, CEO da Eletronet, Marcos Vinícius B. Peigo, co-founder e CEO da Scala Data Centers, Roberto Murakami, vice-presidente de redes e Telecom da NEC na América Latina, e Rafael Mezzasalma, diretor da Nokia para o Brasil, com a mediação do jornalista e apresentador do Programa Start, Daniel Gonzales.
Muito se fala sobre a Inteligência Artificial (IA) e suas aplicações inovadoras, mas nada disso seria possível sem um backbone resiliente, uma base de edge data centers e uma malha de fibra óptica robusta. Nesse contexto, o CEO da Eletronet destacou que essa infraestrutura envolve a coletividade – representada por milhões de usuários atendidos por provedores, grandes operadoras, data centers, OTTs e empresas de conteúdo – em um país continental como o Brasil. “Somos o país com uma das velocidades médias de Internet mais rápidas do mundo e com a cobertura composta por mais de 16 mil empresas de telecom, e tudo isso foi construído nos últimos 15 anos de crescimento agudo dessa infraestrutura. Por exemplo, a banda larga nas nossas casas, há sete anos, era de 5 ou 10 megabits por segundo. Hoje estamos falando de 700 megabits ou até 1 gigabit. Hoje, na Eletronet, temos cerca de 18 mil quilômetros de rede e estamos construindo mais 8 mil quilômetros. Essa infraestrutura é bastante resiliente e opera com disponibilidade próxima de ‘quatro noves’, ou seja, cerca de 99,99% de disponibilidade”, afirma Garchet.
Quando se trata de data centers, conectividade e energia são os dois pilares fundamentais que sustentam as demandas e garantem sua operação", afirma Marcos Peigo. "O Brasil tem duas grandes oportunidades: garantir a soberania digital, com infraestrutura para processar suas próprias cargas de dados, e se posicionar como um hub global de processamento de dados e inteligência artificial. O país conta hoje com disponibilidade energética e capacidade de expansão, mas essa vantagem não será permanente. O mundo já avança em soluções como pequenos reatores nucleares capazes de gerar centenas de megawatts, o que pode reduzir essa competitividade. Nesse contexto, a consolidação do Brasil como plataforma soberana e hub global de infraestrutura para IA depende de decisões imediatas para remover barreiras à competitividade, incluindo a aprovação integral dos incentivos fiscais federais e estaduais. A oportunidade é agora e precisa ser capturada com urgência", enfatiza.
O diretor da Nokia para o Brasil, por sua vez, contextualiza a jornada de evolução do setor. “Para responder se o Brasil está no caminho de ter uma infraestrutura digital adequada, precisamos olhar um pouco para trás. Nos últimos anos houve uma evolução muito grande no acesso à conectividade. Cada vez mais pessoas passaram a ter acesso à banda larga, tanto fixa quanto móvel. O avanço do 5G e as políticas públicas relacionadas ao leilão de frequências também ajudaram a acelerar esse processo, ao passo que o tráfego de dados já não cresce mais de forma linear, mas sim exponencial. Na Nokia, nosso foco é aumentar a capacidade de transmissão de dados ao menor custo possível por bit transmitido, reduzindo a latência e o consumo de energia. Atualmente, existe uma obsessão tecnológica por três fatores principais: menor custo por bit transmitido, menor latência e maior eficiência energética. Recentemente, fizemos uma prova de conceito com a Scala em que conseguimos reduzir em mais de 30% a latência na transmissão de dados utilizando novas tecnologias ópticas”, revela Mezzasalma.
As infraestruturas digitais, sob o olhar do VP de redes e Telecom da NEC na América Latina, têm como ponto nevrálgico a confiabilidade. Segundos de inatividade representam perdas financeiras reais para as companhias. “Um dos grandes desafios atuais é lidar com as redes híbridas, que misturam tecnologias novas com as legadas. Em muitos casos, as empresas possuem infraestruturas antigas, que precisam ser integradas com novas plataformas e novos equipamentos. Quando é preciso integrar os equipamentos novos às infraestruturas existentes, o papel de uma integradora é justamente o de garantir que esses diferentes ambientes funcionem de forma coordenada. Além disso, a arquitetura das redes também está mudando. Com a IA e o crescimento do tráfego de dados, cada vez mais o processamento precisa estar próximo do usuário final e isso muda completamente a forma como as redes são projetadas. Por isso, é necessário que toda essa infraestrutura – conectividade, processamento e automação – funcione de forma integrada, eficiente e disponível o tempo todo”, completa Murakami.
Totalmente em linha com o tema do debate, o CEO da Eletronet abordou a questão da expansão da rede de fibra óptica que a empresa anunciou recentemente e que irá aumentar em cerca de 50% a malha atual da empresa, chegando a 26 mil quilômetros de rotas e 255 edge data centers, em 23 estados, em todas as regiões do país. Este projeto estratégico para o Brasil conta com a tecnologia de ponta da Nokia e a excelência em integração da NEC. “A expansão da rede está sendo realizada em três fases, que serão finalizadas em dezembro de 2026, quando toda essa rede estará pronta para atender novas demandas. Construir cerca de 8 mil quilômetros de infraestrutura no Brasil não é simples, especialmente quando chegamos a regiões mais remotas, inclusive áreas de floresta na região Norte. Quando conseguimos oferecer uma rede confiável e resiliente, isso se torna um diferencial competitivo para atrair investimentos. Quando o Brasil disputa projetos com Estados Unidos, Europa ou Oriente Médio, a qualidade da rede pesa muito na decisão. Hoje já estamos sendo procurados por várias empresas interessadas em investir no Brasil justamente porque conhecem a infraestrutura que estamos construindo e querem saber se teremos capacidade para suportar esses projetos”, explica Garchet.
Com uma trajetória de 57 anos no mercado brasileiro, a NEC integra tecnologias da informação e redes fim a fim seguras para organizações públicas e privadas, além de operadoras de telecomunicações e data centers. A companhia conta, ainda, em seu portfólio com ofertas de Identificação Digital e de Safer Cities voltadas para os governos, nas quais dispõe de equipes altamente especializadas, sistemas próprios reconhecidos mundialmente e um robusto ecossistema de parceiros tecnológicos.
A empresa é subsidiária da NEC Corporation, grupo com 126 anos de atuação, que por meio da mensagem de sua marca “Orquestrando um mundo mais brilhante”, viabiliza que negócios e comunidades se adaptem às rápidas mudanças que ocorrem tanto na sociedade como no mercado, uma vez que proporciona valores sociais de segurança, proteção, eficiência e equidade para promover um mundo mais sustentável, onde todos tenham a oportunidade de atingir o seu pleno potencial. Para mais informações, visite a NEC.